A Bahia, que no ano passado registrou 54 denúncias de casos de tráfico humano, cerca de 15% do total do país (355), teve nesta quarta, 8, no auditório do Ministério Público do Estado (CAB), o lançamento da campanha Coração Azul, organizada pela Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (SJCDH).
Segundo dados apresentados no evento, 51 denúncias foram relacionadas ao trabalho análogo ao escravo e três à exploração sexual, segundo o Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (Netp). Em 2015, já são 16 denúncias.
A campanha busca realizar, ao longo deste mês, ações de conscientização sobre o tráfico de pessoas, como palestras, seminários e exibição de filmes.
"Essa questão do tráfico de pessoas relacionada ao mercado da exploração sexual é muito forte na Bahia, pelo fato de ser um estado com recorte litorâneo muito extenso", afirma Anhamona de Brito, titular da Superintendência de Apoio e Defesa aos Direitos Humanos, vinculada à SJCDH.
Os principais monumentos e prédios públicos da capital e do interior vão receber uma iluminação azul. "O elevador Lacerda já está azul, forma de simbolizar este processo de conscientização da sociedade, das autoridades", disse o titular da secretaria, Geraldo Reis.
O lançamento contou com participação do cantor Tatau, padrinho da campanha na Bahia, e representantes de órgãos como o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Defensoria Pública do Estado.
Segundo estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU), idealizadora internacional da campanha, 2,4 milhões de pessoas são vítimas do tráfico de seres humanos no mundo.
Levantamento recente da Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta que essa especialidade movimenta, no mundo, cerca de US$ 32 bilhões por ano, o que deixa este tipo de crime atrás apenas dos de tráfico de armas e drogas.
Crimes
Segundo Anhamona, existem 53 crimes que têm relação direta com o tráfico de pessoas. Entre os desafios da superintendência para os próximos anos estão o fortalecimento da base de dados e a garantia de mecanismos de monitoramento das ações criminosas.
Um fenômeno que tem ocorrido com frequência é o tráfico de pessoas oriundas de países latino-americanos para o Brasil. "Sobretudo colombianos, bolivianos e peruanos no trabalho análogo ao escravo, principalmente nas indústrias de vestuários e calçados", disse ela.
A gestora contou que, na Bahia, foram identificados bolivianos atuando nesses condições, "em determinada empresa do polo calçadista. Moravam no centro de uma cidade, em espaço precarizado, dormindo em papelão", revelou. Eles foram acolhidos pelo Netp.
Para fortalecer o banco de dados, ela destaca que denunciar é fundamental. "As pessoas têm medo de denunciar, além de não saberem muito bem como as instituições funcionam no enfrentamento, combate e responsabilização dos criminosos. Existe desconhecimento da existência do nosso núcleo", afirmou.
O coordenador do Netp, Admar Fontes Júnior, informou que, neste ano, 13 pessoas da Bahia foram resgatadas em fazendas de Minas Gerais em situação de trabalho análogo ao escravo: "Já nos foi passado pelo núcleo de lá e estamos dando encaminhamentos". Ele conta que, este ano, o órgão recebeu três denúncias de tráfico para fins de exploração sexual, já encaminhadas à Polícia Federal.
Um caso de resgate de uma transexual, no ano passado, foi citado por Anhamona como um dos mais importantes: "A polícia desbaratou uma quadrilha que aliciava mulheres, transexuais e travestis para o tráfico internacional".
Denúncias: Disque 100 ou 180 / Netp: rua Frei Vicente, 10, Pelourinho, fone (71) 3266-0131
Atarde

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