26 de julho de 2015

Com o emprego em baixa, 2015 virou o ano do ‘bico’ no Brasil

No dia 21 de julho, Emerson Nascimento, 32 anos, acordou cedo, colocou sua melhor roupa, e foi ao Centro de Apoio ao Trabalhador (CAT), no bairro da Luz, em São Paulo. Há quase um ano desempregado, desde que foi demitido de uma fábrica de fios, ele teria uma entrevista de emprego no local - e a expectativa era grande. A vaga: auxiliar de limpeza em um grande hospital da capital. A esperança murchou assim que entrou na sala de entrevista: havia mais de trinta concorrentes e a exigência mínima era de seis meses de experiência na área. Nascimento, que era operador de máquina, saiu frustrado. "Você vem na expectativa atrás de um "sim" e só recebe "não"', lamenta. Sem opções, o jeito é continuar na informalidade, conclui ele, que sustenta duas filhas com os "bicos" de pedreiro e vigilante. "O que surgir, eu encaro. Não dá para ficar parado. Os filhos não querem saber de onde vem o dinheiro. Só querem comer, se vestir bem. E a gente tem que se virar porque é pai", afirmou. Com a deterioração do mercado de trabalho e a desaceleração da economia, o caso de Nascimento está longe de ser isolado.
Pela primeira vez em doze anos, o emprego formal - aquele de carteira assinada que prevê uma rede de proteções, como fundo de garantia, seguro-desemprego e aposentadoria - começou a cair. Segundo a Pnad Contínua, feita pelo IBGE, a queda foi de 1,9% no trimestre encerrado em maio ante o mesmo período do ano passado. Ou seja, 708.000 vagas formais foram perdidas no período. "A informalidade voltou a crescer nos últimos meses, mas ainda de forma discreta. A grande questão é que há uma reversão de trajetória. Ela vinha caindo ao longo dos últimos doze anos e, pela primeira vez, voltou a crescer. E isso é ruim porque o país já tem um grande contingente de trabalhadores informais, cerca de 50%", avalia o professor de Economia da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisador Helio Zylberstajn.
O Olho

Nenhum comentário:

Postar um comentário