13 de julho de 2015

Única castanheira em área urbana de mata atlântica do Brasil é Valenciana.

“Se quiséssemos construir qualquer estrutura de cimento, ferro e aço, com recursos e projetos se constrói, mas a árvore levaria mais alguns anos. Talvez 500 ou 700 anos; plantar hoje e aguardar para que se chegue a esse patrimônio.”


Um exemplar raro de Bertolleia excelsa, a Castanheira-do-Pará, que contradiz o que está registrado na literatura botânica na classificação de que esta árvore seja da mata Amazônica, tendo esta se desenvolvido na mata Atlântica. Com idade, aproximadamente, 700 anos, conforme testes feito em 1999 por uma equipe de biólogos de Salvador que levaram material e submeteram a teste de carbono 14. “Temos os resultados como referência e analisando que ela tenha aproximadamente 700 anos, ela não poderia ter vindo da Amazônia e ser plantada aqui. Subentende-se então que ela tenha sua espontaneidade também aqui na região” diz o Engenheiro Agrônomo Antônio Jorge Menezes.
Através do IDEIA – Instituto de Defesa, Estudos e Integração Ambiental – foram realizados diversos estudos e questionamentos, chegando a uma conclusão de que, a nível de Brasil, não temos algo semelhante em área urbana. Temos exemplares com a mesma idade e proporção na mata Amazônica, como na cidade do Belém do Pará, como apontou o estudo da Emílio Goeldi, aproximadamente, 6 hectares de área urbana com árvores como a nossa, porém, como já dito, o que torna a Castanheira da cidade de Valença peculiar é seu crescimento em mata Atlântica. Através do IDEIA, buscaram-se meios para recuperar a árvore que, no meio onde está, apresenta riscos. Segundo laudo do IDEIA de 31 de Janeiro de 2007, a “árvore encontra-se em em propriedade articular na área urbana do município, com aproximadamente 30 metros de altura. Técnicos locais temem pela sua sobrevivência por estar isolada de sua espécie e apresentar uma fenda em seu interior (…)”. Continua, “as opiniões se divergem e há um grande receio pela segurança das pessoas que estão em seu entorno.” Os técnicos do IDEIA deixam claro no final do ludo de que como entidades ambientalistas que são, são contra ao corte da mesma, porém se sensibilizam ao provável risco de vida que ela impõe as pessoas que habitam seu redor, no caso de sua queda inesperada.
Um estudo do potencial turístico nesta região também foi preparado em 2007 e apresentado aos órgão competentes do município de Valença afim de promover mudanças e chamar atenção da população para a preservação da Castanheira. O conteúdo da argumentação técnica do MAPA – Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento -, CEPLAC – Comissão executiva do Plano da Lavoura Cacaueira – e EMARC – Escola Média de Agropecuária Regional da CEPLAC EMARC/Valença -, foram encaminhados ao Embrapa Amazônia Oriental no mesmo ano com detalhes do estado fitossanitário da castanheira. Onde no laudo, pedia-se a presença de um técnico em castanheira-do-Brasil para maiores informações do estado da árvore. A presença do técnico não foi possível por conta do cenário político da cidade que estava bastante instável e a secretaria de administração não pôde pagar as dispensas desta pesquisa.
Em 2012, Milena Oliveira Santos Luz, representando os moradores da Rua Veteranos da Independência, situado no Bairro Amparo, solicitou à promotoria pública uma medida de intervenção preventiva afim de se evitar uma provável tragédia que poderá ser provocada pela queda da árvore. No mesmo documento, Milena relata os obstáculos impostos pela promotoria da cidade em resolver o problema e que o mesmo precisaria de um parecer da Secretaria do Meio Ambiente da cidade. No mesmo ano, a prefeitura de Valença, após a solicitação da Milena Oliveira Santos Luz, apresentou através de Relatório Técnico 010/2012 os resultados da vistoria técnica que, segundo o CODEMA – Conselho Municipal de Meio Ambiente – a árvore apresenta problemas há um tempo considerável e que o ferimento da casca está progredindo e que medidas devem ser tomadas, pois existem famílias morando naquela região. O laudo também apontou o grande valor como patrimônio natural que representa a castanheira que é o único exemplar no Brasil encontrado fora do seu local de origem.
No entanto, até hoje, nada foi feito pela preservação da árvore que poderia transformar de vez aquela paisagem num ponto de visitação turística ou na maior tragédia na história da cidade. É preciso sensibilizar nossos representantes políticos para que tomem uma atitude e confortem as famílias que vivem assustados com uma possível queda. É um grande risco, porém defendem-se a manutenção da árvore. No entanto existe dois questionamentos: manter a árvore no local sem qualquer cuidado para que ela se mantenha sem o risco de queda ou removê-la?
Dificilmente um órgão ambiental tomará tal atitude, pois, qual deles serão os responsáveis por colocar um espécime raro no chão? Manchando sua própria imagem de defensores do meio ambiente. Quem vai assumir tal responsabilidade?
Temos um patrimônio espetacular, “se quiséssemos construir qualquer estrutura de cimento, ferro e aço, com recursos e projetos se constrói, mas a árvore levaria mais alguns anos. Talvez 500 ou 700 anos; plantar hoje e aguardar para que se chegue a esse patrimônio.” Diz Antônio Jorge Menezes que lamenta a possível queda deste “troféu” em nossa cidade.


João Barreto / ponto de vista.net.br /Reporterurgente.com

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