“Se quiséssemos construir
qualquer estrutura de cimento, ferro e aço, com recursos e projetos se
constrói, mas a árvore levaria mais alguns anos. Talvez 500 ou 700 anos;
plantar hoje e aguardar para que se chegue a esse patrimônio.”
Um exemplar raro de Bertolleia
excelsa, a Castanheira-do-Pará, que contradiz o que está registrado na
literatura botânica na classificação de que esta árvore seja da mata Amazônica,
tendo esta se desenvolvido na mata Atlântica. Com idade, aproximadamente, 700
anos, conforme testes feito em 1999 por uma equipe de biólogos de Salvador que
levaram material e submeteram a teste de carbono 14. “Temos os resultados como
referência e analisando que ela tenha aproximadamente 700 anos, ela não poderia
ter vindo da Amazônia e ser plantada aqui. Subentende-se então que ela tenha
sua espontaneidade também aqui na região” diz o Engenheiro Agrônomo Antônio
Jorge Menezes.
Através do IDEIA – Instituto
de Defesa, Estudos e Integração Ambiental – foram realizados diversos estudos e
questionamentos, chegando a uma conclusão de que, a nível de Brasil, não temos
algo semelhante em área urbana. Temos exemplares com a mesma idade e proporção
na mata Amazônica, como na cidade do Belém do Pará, como apontou o estudo da
Emílio Goeldi, aproximadamente, 6 hectares de área urbana com árvores como a
nossa, porém, como já dito, o que torna a Castanheira da cidade de Valença
peculiar é seu crescimento em mata Atlântica. Através do IDEIA, buscaram-se
meios para recuperar a árvore que, no meio onde está, apresenta riscos. Segundo
laudo do IDEIA de 31 de Janeiro de 2007, a “árvore encontra-se em em
propriedade articular na área urbana do município, com aproximadamente 30
metros de altura. Técnicos locais temem pela sua sobrevivência por estar
isolada de sua espécie e apresentar uma fenda em seu interior (…)”. Continua,
“as opiniões se divergem e há um grande receio pela segurança das pessoas que
estão em seu entorno.” Os técnicos do IDEIA deixam claro no final do ludo de
que como entidades ambientalistas que são, são contra ao corte da mesma, porém
se sensibilizam ao provável risco de vida que ela impõe as pessoas que habitam
seu redor, no caso de sua queda inesperada.
Um estudo do potencial
turístico nesta região também foi preparado em 2007 e apresentado aos órgão competentes
do município de Valença afim de promover mudanças e chamar atenção da população
para a preservação da Castanheira. O conteúdo da argumentação técnica do MAPA –
Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento -, CEPLAC – Comissão
executiva do Plano da Lavoura Cacaueira – e EMARC – Escola Média de
Agropecuária Regional da CEPLAC EMARC/Valença -, foram encaminhados ao Embrapa
Amazônia Oriental no mesmo ano com detalhes do estado fitossanitário da
castanheira. Onde no laudo, pedia-se a presença de um técnico em
castanheira-do-Brasil para maiores informações do estado da árvore. A presença
do técnico não foi possível por conta do cenário político da cidade que estava
bastante instável e a secretaria de administração não pôde pagar as dispensas
desta pesquisa.
Em 2012, Milena Oliveira
Santos Luz, representando os moradores da Rua Veteranos da Independência,
situado no Bairro Amparo, solicitou à promotoria pública uma medida de
intervenção preventiva afim de se evitar uma provável tragédia que poderá ser
provocada pela queda da árvore. No mesmo documento, Milena relata os obstáculos
impostos pela promotoria da cidade em resolver o problema e que o mesmo
precisaria de um parecer da Secretaria do Meio Ambiente da cidade. No mesmo
ano, a prefeitura de Valença, após a solicitação da Milena Oliveira Santos Luz,
apresentou através de Relatório Técnico 010/2012 os resultados da vistoria
técnica que, segundo o CODEMA – Conselho Municipal de Meio Ambiente – a árvore
apresenta problemas há um tempo considerável e que o ferimento da casca está
progredindo e que medidas devem ser tomadas, pois existem famílias morando
naquela região. O laudo também apontou o grande valor como patrimônio natural
que representa a castanheira que é o único exemplar no Brasil encontrado fora
do seu local de origem.
No entanto, até hoje, nada foi
feito pela preservação da árvore que poderia transformar de vez aquela paisagem
num ponto de visitação turística ou na maior tragédia na história da cidade. É
preciso sensibilizar nossos representantes políticos para que tomem uma atitude
e confortem as famílias que vivem assustados com uma possível queda. É um
grande risco, porém defendem-se a manutenção da árvore. No entanto existe dois
questionamentos: manter a árvore no local sem qualquer cuidado para que ela se
mantenha sem o risco de queda ou removê-la?
Dificilmente um órgão
ambiental tomará tal atitude, pois, qual deles serão os responsáveis por
colocar um espécime raro no chão? Manchando sua própria imagem de defensores do
meio ambiente. Quem vai assumir tal responsabilidade?
Temos um patrimônio
espetacular, “se quiséssemos construir qualquer estrutura de cimento, ferro e
aço, com recursos e projetos se constrói, mas a árvore levaria mais alguns
anos. Talvez 500 ou 700 anos; plantar hoje e aguardar para que se chegue a esse
patrimônio.” Diz Antônio Jorge Menezes que lamenta a possível queda deste
“troféu” em nossa cidade.
João Barreto / ponto de
vista.net.br /Reporterurgente.com

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