Há um ano, a atriz carioca Carolina Chalita, de 35 anos, trava um luta para ajudar o namorado, o designer e artista plástico Rodrigo Calixto, de 36 anos, a passar pela quimioterapia e conseguir um doador de medula óssea, após ele ser diagnosticado com leucemia aguda no réveillon de 2015. Rodrigo chegou a ficar internado por dez dias na UTI de um hospital em Recife e, segundo a atriz, escapou da morte por um milagre.
“Os médicos disseram que a chance de ele sobreviver era de menos de 1%”, lembra Carolina, que participou das novelas “O astro” (2011) e “Viver a vida” (2009).
“A leucemia foi tão violenta que ele ficou em coma induzido, com água no pulmão e respirando com ajuda de aparelhos. Ele já não tinha oxigênio, a pressão dele já não existia mais”, conta Carolina. Só um milagre poderia salvar a vida de Rodrigo. E foi, segundo a atriz, justamente o que aconteceu cindo dias depois. Aconselhada por familiares, Carolina foi na igreja de Santa Rita de Cássia, em Recife, e decidiu participar de uma novena. Durante cinco dias, ela teria que distribuir uns santinhos pela cidade. No quinto, a santa realizaria um milagre. “No quinto dia que eu e a mãe dele estávamos distribuindo essa reza, ele acordou do coma e a quimioterapia estabilizou a doença”, narra ela, emocionada.
Rodrigo seguiu internado por um mês até concluir o primeiro ciclo da quimioterapia. Em março, o casal foi para o Rio onde deu continuidade ao tratamento com o hematologista e começou a incansável busca por um doador de medula. “Entramos em um banco de doares e vimos que existe um abismo muito grande de informação, que o órgão público, por exemplo, não vai atrás da medula do paciente. Se você não tem um pistolão, alguém que corra atrás para você, você não acha medula. Não é interesse do governo fazer testes de HLA para achar um doador, porque esses testes são caros”, desabafa a atriz.
Mas os amigos de Rodrigo também se sensibilizaram e criaram uma pagina no Facebook para ajudar a encontrar um doador compatível. A página “Ajuda Rodrigo” tem quase 6 mil seguidores. E ajudou.
Após meses procurando por um doador e devido à urgência do caso, a alternativa foi fazer o transplante haploidêntico, ou seja, de mãe para o filho, que tem 50% de compatibilidade. A mãe dele, Maria Dulce Calixto, de 70 anos, conseguiu fazer a doação no fim de dezembro. Na quinta-feira (7), um ano após descobrir a leucemia, o resultado dos exames mostrou que deu tudo certo com o transplante. “O grande ensinamento que eu aprendi com tudo isso é que a gente precisa muito do outro: para sobreviver, para doar sangue e manter a cabeça firme dentro de um quarto do hospital. É uma doença que traz uma humanidade muito grande”, diz Carolina, que ficou ao lado do namorado durante todo o momento do tratamento.
A previsão é que Rodrigo deixe o hospital e volte para casa, no Rio, na próxima sexta-feira. Ele deve seguir o tratamento ambulatório indo ao hospital três vezes por semana.
“A gente ainda tem uma batalha pela frente, já que o corpo do Rodrigo está absorvendo uma medula nova. Ele tem que ficar em casa por três meses, só depois disso que ele começa a ter uma vida normal. O Rodrigo foi muito feliz, porque ele tem uma capacidade de manter a cabeça boa. Mas nesse momento de transplante foi muito difícil para ele. Ele está há quase 15 dias sem comer, emagreceu muito e, claro, às vezes acha que não vai suportar, porque não sente mais o corpo. Mas ele sabe que tem um apoio afetivo da família, que é muito importante. A gente não aguenta se não tiver o apoio da família. É uma luta diária, e todo o dia é uma vitória”, testemunha a namorada, acrescento que em nenhum momento perdeu a fé. Agora que o pior já passou, Rodrigo e Carolina já fazem planos para o futuro:
“A gente planeja casar. Falamos em casamento o tempo todo, queremos casar e ter um filhinho. Ele diz que mais do que a vitória material que a gente possa pensar em ter, a vitória afetiva, aquela de ter alguém que te coloque no sol quando você está inútil, é mais importante do que tudo. A vida é tão maravilhosa que ela te coloca em situações para você passar a dar valor as coisas simples”.
VN

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