Os preços atuais do petróleo, os mais baixos em mais de uma década, começam a prejudicar a economia global e não têm aumentado a demanda por gasolina e outros derivados no nível em que muitos esperavam, afirmou a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) nesta quarta-feira.
A Opep cortou suas projeções para crescimento da demanda global por petróleo e também para a economia mundial. Segundo o grupo, os preços mais baixos da commodity não compensaram o apetite reduzido dos consumidores - e, ao mesmo tempo, prejudicam grandes países, como Rússia e Brasil.
O anúncio, que aparece no relatório mensal sobre o petróleo da Opep, surge após os preços da commodity retomarem sua trajetória de queda. O movimento ocorre após os membros do grupo não chegarem a um acordo sobre um corte na produção.
Os preços mais baixos do petróleo são em geral considerados positivos para os consumidores e para a economia global em geral. Mas agora "o efeito geral negativo do forte declínio dos preços do petróleo desde meados de 2014 tem superado os benefícios no curto prazo", disse a Opep. A entidade, que fornece mais de um terço dos barris consumidos globalmente, reduziu sua previsão para o crescimento global em 2016, de 3,4% para 3,2%.
Apesar de os preços do petróleo terem descido a níveis não vistos em mais de dez anos, a Opep também cortou sua projeção para crescimento na demanda em 10.000 barris ao dia para este ano. A demanda por petróleo deve subir 1,25 milhão de barris por dia neste ano, para 94,21 milhões de barris por dia, segundo a entidade.
Desvio de rota - O grupo diz que há consumidores reduzindo os trajetos de carro e que há ainda o impacto da recente crise financeira. "Devido aos efeitos que se seguiram à 'grande recessão', o potencial de que a capacidade de gasto dos consumidores possa aumentar é limitada", afirmou a Opep.
Apesar do apetite menor pela commodity, a entidade continua a produzir em nível forte. O grupo disse que sua produção aumentou 131.000 barris por dia, para 32,33 milhões de barris por dia em janeiro. Nigéria, Iraque, Arábia Saudita e Irã puxaram a alta.

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