No dia após a aprovação, na Câmara Federal, da abertura de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), deputados estaduais governistas classificaram, nesta segunda, 8, a decisão como um atentado contra a democracia e o estado de direito, enquanto os oposicionistas acreditam que o resultado da votação evidencia a vontade da maioria da população e que o momento, agora, é de olhar para o futuro.
Os governistas mantiveram o discurso de que o processo de impedimento da presidente representa um golpe à democracia, uma vez que, defendem eles, não há crime de responsabilidade fiscal por parte da presidente. O deputado estadual Joseildo Ramos (PT) criticou o discurso adotado pela maioria dos deputados federais para justificar o voto. "Impressionante a sucessão de votos caminhando para uma bestialidade jamais vista na história recente do nosso pais, pela família, pela neta, pelo neto, pelo filho que esqueceu o nome, tudo isso foi usado na argumentação para tirar do poder alguém que recebeu 54 milhões de votos", afirmou. O deputado Adolfo Viana (PSDB) afirmou que a abertura do processo de impeachment da presidente é uma oportunidade de reorganizar o Brasil. Mesmo antes do julgamento no Senado, Viana já se referiu ao vice-presidente Michel Temer (PMDB) - que assumiria caso ocorra o impedimento de Dilma - como presidente. "O presidente Michel Temer tem que olhar para o futuro para tirar o Brasil desse atoleiro. A derrota (do governo) foi justamente a representação da força da maioria do povo brasileiro. Estamos tendo a chance de reorganizar nosso país, de rever os erros cometidos, e a partir de agora passar uma borracha nesses erros e buscar acertos", disse ele.
Joseildo, por sua vez, citou uma pesquisa do Data Folha que aponta rejeição de 58% do vice-presidente. "O que virá depois de Dilma? É Temer, que não tem nem de longe a legitimidade e nem goza de prestígio com a população". O líder da oposição na AL-BA, deputado Sandro Régis, criticou os ataques feitos pelos colegas da situação. "O PT, até sexta-feira, pediu voto de Paulo Maluf (PP-SP), que era amigo, e até esse momento corre atrás de Renan (Calheiros, do PMDB, presidente do Senado). Golpe era (o ex-presidente) Lula num hotel querendo comprar todo mundo, chamando parlamentares para oferecer cargo", disse, citando o hotel onde o ex-presidente negociava apoios contra o impeachment.
Sandro Régis ainda ressaltou que o processo teve a legitimidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Joseildo afirmou que justamente o STF irá verificar o mérito da matéria para verificar se houve ou não crime de responsabilidade. "Essa questão não foi tratada. O mérito só vai ser tratado no Senado. Portanto, o Supremo, a qualquer momento, mesmo porque presidirá a Casa, poderá se manifestar sobre a constitucionalidade do mérito", rebateu. O também deputado governista Rosemberg Pinto, líder do PT na AL-BA, afirmou que acompanhou a votação "enojado". "Raquel Muniz (deputada federal pelo PSD-MG) invocou o nome de Deus contra a corrupção, disse que o marido (Ruy Muniz, do PSB, prefeito de Montes Claros) era santo, e hoje o marido dela foi preso por corrupção. Vários deputados dando o voto em nome das famílias, dos filhos, é assumir para mediocridade do que foi aquela sessão no Congresso".

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