28 de maio de 2016

Suspeito de divulgar imagens de estupro coletivo fala sobre caso: 'Não sabia que era um estupro'

Um dos suspeitos de compartilhar as imagens de uma jovem desacordada nas redes sociais alegou que não sabia que se tratava de um caso de estupro contra uma menor de idade. Marcelo Miranda da Cruz Corrêa, 18 anos, afirmou que publicou uma foto na noite da última terça-feira (24) e, no dia seguinte, teve seu perfil apagado.
Marcelo disse também que recebeu ameaças de mortes. "Só entendi o que aconteceu quando vi o vídeo", afirmou o rapaz ao site 'Extra'. "A minha ficha ainda não caiu. Aconteceu tudo tão rápido. Fui ameaçado de morte porque as pessoas acharam que eu participei de um estupro. Só botei isso inocentemente", se defendeu. O suspeito disse que recebeu a foto em um grupo de WhatsApp e não conhece nenhum dos 33 envolvidos do caso - quatro deles já foram identificados. Marcelo pode responder por divulgar conteúdo pornográfico com menor de idade e a pena pode chegar a seis anos de reclusão. 
"A minha mãe acha isso tudo repugnante, mas está me apoiando. Espero que as coisas se resolvam. Não quero ser preso por uma coisa que eu não fiz. Não sabia que aquilo era um estupro e que ela era menor", disse Marcelo.
Em conversa com o 'Extra', o advogado do jovem, Igor Carvalho, afirmou que vai apresentar o rapaz nesta sexta-feira (27) à polícia. Ele já teve a prisão preventiva pedida pela delegacia que investiga o caso.
Violência sexual
A imagem publicada por Marcelo mostra um homem na frente da jovem nua e desacordada. Segundo o 'Jornal Nacional', quem aparece na imagem é Raphael Assis Duarte Belo, 41 anos. Ele já teve a prisão preventiva pedida pela polícia, assim como Michel Brasil, 18 anos, acusado de divulgar as imagens nas redes sociais. No vídeo divulgado, a vítima aparece nua e desacordada após uma sessão de estupro. Nas imagens, dois homens exibem a adolescente. "Essa aqui, mais de 30 engravidou. Entendeu ou não entendeu?", diz um dos homens na filmagem. Os homens também exibem o órgão genital da jovem, ainda sagrando. "Olha como que tá (sic). Sangrando. Olha onde o trem passou. Onde o trem bala passou de marreta", diz o outro agressor, orgulhoso.

Em depoimento à polícia, a menina disse que foi para a casa do namorado no sábado e acordou no dia seguinte "drogada e nua". Ela afirmou que havia 33 homens armados de pistolas e fuzis. A jovem vestiu algumas roupas masculinas e pegou um táxi para casa. Dois dias depois, viu que o vídeo havia sido divulgado na internet. A vítima tem um filho de 3 anos. Ela afirmou no depoimento que usa ecstasy, loló e lança perfume. A jovem ainda contou que voltou à comunidade e reclamou com o "dono do tráfico" porque teve o celular roubado. Ele teria dito que não encontrou o aparelho, mas ressarciria o dinheiro e que "procuraria saber sobre o estupro porque ainda não tinha tomado conhecimento".
Repercussão e revolta
O caso ganhou repercussão pelo Twitter após um dos agressores divulgarem as imagens na internet. Além do vídeo, há pelo menos uma foto de um homem a frente do corpo nu da jovem. O perfil de um dos suspeitos de postar as imagens foi apagado.
Em depoimento, a avó da menina disse que o estupro, ocorrido na comunidade de Morro São João, em Jacarepaguá, foi planejado pelo namorado, que achava que havia sido traído. As investigações continuam em andamento na Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI). De acordo com a assessoria da Polícia Civil, o delegado Alessandro Thiers pede que qualquer informação que possa auxiliar na identificação dos autores seja compartilhada com a polícia.
Diversos famosos se revoltaram com o caso e protestaram nas redes sociais. As atrizes Monica Iozzi, Claudia Ohana, Carolina Dieckmann, Giselle Batista, Sophia Abrahão, além das cantoras Cláudia Leitte, Gabi Amarantos e a jornalista e Marília Gabriela foram algumas que se pronunciaram e pediram justiça.
"Que sociedade doente", disse a atriz Giselle Batista. "Pelo amor de Deus! Isso tem que parar! A brutalidade contra a mulher não pode mais ser banalizada! 30 homens... Como assim? A revolta é muito grande! #Luto", lamentou Nathalia Dill. Motivadas pelo recente caso de estupro coletivo, mulheres por todo o Brasil estão organizando manifestações. Em Salvador, o ato foi organizado pela Marcha das Vadias e acontece no próximo sábado, dia 4 de junho, e tem o lema "Por todas elas".

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