10 de outubro de 2016

SAJ: Representante do Candomblé fala sobre oferendas depositadas nas proximidades da Barragem do Rio da Dona

Após a denúncia dos moradores do Rio da Dona, zona rural de Santo Antônio de Jesus, dando conta da grande quantidade de oferendas depositadas as margens do rio e nas proximidades da Barragem Nova, o Portal Tribuna do Recôncavo ouviu na sexta-feira (07/10) o senhor Marcelo Santos, religioso pertencente ao Candomblé que falou sobre o fato.
Marcelo informou que na época da primeira denúncia, em junho de 2015, o mesmo estava a frente do Departamento de Promoção da Igualdade Étnico Racial do município de Santo Antônio de Jesus e fazia assessoria para a presidência da FENACAB (Federação Nacional de Culto Afro Brasileiro). “Tivemos algumas reuniões, fizemos alguns encaminhamentos, mas infelizmente ao sair da Prefeitura de Santo Antônio em outubro de 2015 pensávamos que esse encaminhamento tinha rendido frutos positivos, mas infelizmente esse problema voltou a acontecer”, disse.

Marcelo salientou que a religiosidade de Matriz Africana (Candomblé e Ubanda) são amparadas constitucionalmente no Artigo 5º da Constituição Federal, desde que não venha a ferir nem a causar nenhum tipo de dano ao Meio Ambiente. “Sobre isso que está acontecendo vou sentar com representantes do 14º Batalhão e Secretaria do Meio Ambiente do município para marcar uma reunião na Associação de Moradores do Rio da Dona”, disse.
Segundo Marcelo, os adeptos das religiões de Matriz Africana devem preservar o meio ambiente e ter cuidado com a natureza, “mas também é preciso que se tenha cuidado com a intolerância religiosa porque algumas denúncias que eu fui averiguar não procedem, inclusive temos relatos de moradores que teriam feito ameaças de morte a adeptos de religiões de matriz africana que foram até o rio depositar suas oferendas. Desde que o material seja biodegradável, que não venha a danificar o meio ambiente, estão amparados pela lei. Acho que pelo fato do rio passar no fundo da casa desses moradores não significa que o rio pertence ao quintal deles. O rio é público e tem que ser preservado tanto pelos moradores, quanto por aqueles que vão depositar suas oferendas desde que não prejudiquem a natureza”, destacou.
Marcelo concluiu lembrando que tem que ter um entendimento, uma reunião, um diálogo, um consenso entre moradores e praticantes das religiões de Matriz Africana para que seja garantida a prática das suas liturgias e que preservem o meio ambiente. 
Tribuna do Recôncavo

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