7 de novembro de 2016

Ações de Neto confirmam interesse em 2018, por Raul Monteiro

Muito antes das últimas eleições municipais, o prefeito ACM Neto (DEM) já via seu nome circular tanto entre aliados quanto adversários como o provável concorrente do governador Rui Costa (PT) em 2018. A votação consagradora com que se reelegeu em Salvador apenas fortaleceu a possibilidade, apesar de não se ter registro de que o democrata tenha tratado do assunto publicamente desde que se elegeu prefeito pela primeira vez, em 2012. Se ACM Neto nunca admitiu falar do tema, entretanto, mudou de posição assim que o resultado das eleições veio a público, no último dia 3 de outubro.
Tão logo retornou de uma viagem de 10 dias de descanso ao exterior, o prefeito passou a intensificar contatos com deputados, prefeitos e lideranças do interior, tratando abertamente da possibilidade de vir a disputar a sucessão estadual contra o PT daqui a dois anos. A amigos, Neto já confessou que vai usar o tempo livre de que dispuser para estudar os problemas da Bahia “sem ansiedade”, em mais uma demonstração de que o projeto de concorrer ao governo do Estado está de pé, dependendo apenas da conjuntura para decidir se vai efetivamente abraçá-lo no momento propício.

A primeira etapa do objetivo Neto cumpriu ainda como parte da campanha à reeleição. Foi quando escolheu o deputado estadual Bruno Reis (PMDB), seu amigo pessoal e um de seus mais fiéis e discretos colaboradores, para vice-prefeito e sucessor natural na hipótese de renunciar à Prefeitura para disputar o governo. Entre todos os nomes disponíveis, a maioria estimulada a se candidatar ao posto pelo próprio Neto, tratava-se da melhor opção que ele tinha para a decisão que acabou tomando. A segunda o prefeito vai atender agora, com a decisão, já tomada, de transferir o gabinete do novo vice para a Prefeitura.
Neto tinha a opção de dar uma secretaria importante a Bruno. No entanto, por decisão própria já comunicada a ele, o novo vice vai, além de cuidar da articulação política do governo, o que sempre fez informalmente, passar também a ficar 24 horas ao lado de Neto, acompanhando cada passo administrativo do gestor. O objetivo é preparar Bruno efetivamente para sucedê-lo. A decisão inscreve-se entre as medidas das várias estratégias que o prefeito pretende adotar para criar as condições de passar o bastão com segurança ao parlamentar no caso de efetivamente deixar a Prefeitura para tentar o governo.
“Neto quer chegar a 2018 da mesma forma que chegou agora em outubro: com a decisão quanto ao que fazer, na hora certa, inteiramente em sua mão”, diz um aliado do prefeito que tem, em boa medida, servido-lhe também de conselheiro. Igualmente importantes, os outros elementos que o ajudarão a analisar a conjuntura e tomar a decisão de deixar a Prefeitura para enfrentar uma nova eleição em 2018 não estarão, naturalmente, sob o seu controle. Dizem respeito principalmente às condições de competitividade em que encontrará no futuro o governador Rui Costa, hoje bem avaliado pela população.


* Artigo publicado originalmente na Tribuna da Bahia/PoliticaLivre

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