Muito antes das últimas
eleições municipais, o prefeito ACM Neto (DEM) já via seu nome circular tanto
entre aliados quanto adversários como o provável concorrente do governador Rui
Costa (PT) em 2018. A votação consagradora com que se reelegeu em Salvador
apenas fortaleceu a possibilidade, apesar de não se ter registro de que o
democrata tenha tratado do assunto publicamente desde que se elegeu prefeito
pela primeira vez, em 2012. Se ACM Neto nunca admitiu falar do tema,
entretanto, mudou de posição assim que o resultado das eleições veio a público,
no último dia 3 de outubro.
Tão logo retornou de uma
viagem de 10 dias de descanso ao exterior, o prefeito passou a intensificar
contatos com deputados, prefeitos e lideranças do interior, tratando
abertamente da possibilidade de vir a disputar a sucessão estadual contra o PT
daqui a dois anos. A amigos, Neto já confessou que vai usar o tempo livre de
que dispuser para estudar os problemas da Bahia “sem ansiedade”, em mais uma
demonstração de que o projeto de concorrer ao governo do Estado está de pé,
dependendo apenas da conjuntura para decidir se vai efetivamente abraçá-lo no
momento propício.
A primeira etapa do objetivo
Neto cumpriu ainda como parte da campanha à reeleição. Foi quando escolheu o
deputado estadual Bruno Reis (PMDB), seu amigo pessoal e um de seus mais fiéis
e discretos colaboradores, para vice-prefeito e sucessor natural na hipótese de
renunciar à Prefeitura para disputar o governo. Entre todos os nomes
disponíveis, a maioria estimulada a se candidatar ao posto pelo próprio Neto,
tratava-se da melhor opção que ele tinha para a decisão que acabou tomando. A
segunda o prefeito vai atender agora, com a decisão, já tomada, de transferir o
gabinete do novo vice para a Prefeitura.
Neto tinha a opção de dar uma
secretaria importante a Bruno. No entanto, por decisão própria já comunicada a
ele, o novo vice vai, além de cuidar da articulação política do governo, o que
sempre fez informalmente, passar também a ficar 24 horas ao lado de Neto,
acompanhando cada passo administrativo do gestor. O objetivo é preparar Bruno
efetivamente para sucedê-lo. A decisão inscreve-se entre as medidas das várias
estratégias que o prefeito pretende adotar para criar as condições de passar o
bastão com segurança ao parlamentar no caso de efetivamente deixar a Prefeitura
para tentar o governo.
“Neto quer chegar a 2018 da
mesma forma que chegou agora em outubro: com a decisão quanto ao que fazer, na
hora certa, inteiramente em sua mão”, diz um aliado do prefeito que tem, em boa
medida, servido-lhe também de conselheiro. Igualmente importantes, os outros
elementos que o ajudarão a analisar a conjuntura e tomar a decisão de deixar a
Prefeitura para enfrentar uma nova eleição em 2018 não estarão, naturalmente,
sob o seu controle. Dizem respeito principalmente às condições de
competitividade em que encontrará no futuro o governador Rui Costa, hoje bem
avaliado pela população.
* Artigo publicado
originalmente na Tribuna da Bahia/PoliticaLivre

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