O governo federal decidiu,
nesta terça-feira (22), aceitar o pedido dos governadores e repartir a multa
obtida com a repatriação de recursos do exterior. Segundo o ministro da
Fazenda, Henrique Meirelles, porém, os estados terão que aprovar medidas duras
de austeridade para receber o valor a que terão direito. Além dos projetos
encaminhados pelo Palácio do Planalto ao Congresso, os gestores terão que se
comprometer a aprovar nas Assembleias Legislativas uma espécie de “PEC do teto
dos gastos” local, dentro dos mesmos parâmetros – redução de gastos públicos e
congelamento dos investimentos pelos próximos 20 anos. Este termo já estava
acertado desde junho, mas os governadores não adiantaram as medidas. Além do
congelamento, Meirelles apontou outras medidas colocadas como exigências pelo
governo federal, como a redução de pelo menos 20% das despesas com cargos
comissionados e gratificações e a criação de fundos estaduais com compostos de
contribuições de beneficiários dos incentivos fiscais. O benefício não pode ser
inferior a 10% do incentivo fiscal concedido. Por fim, os Estados devem abrir
mão das ações no Supremo que pedem mais dinheiro da repatriação de bens não
declarados no exterior em troca do acordo desta terça. Os estados devem receber
o valor referente aos impostos da repatriação ainda em 2016. Já o valor da
multa, estimado em R$ 5 bilhões, só deverá ser repartido após conversas com
cada governador e a aprovação das medidas exigidas. “Idealmente”, isso
ocorreria ainda este ano, mas em alguns casos o dinheiro só deve ser liberado
em 2017. Ainda assim, o ministro da Fazenda admitiu que o valor não deve
resolver a crise enfrentada pelas gestões estaduais. “Esse dinheiro da
repatriação não vai resolver o problema dos estados. Aliás, longe disso. O que
vai resolver a situação dos estados é a austeridade, é o corte de despesas”,
avaliou Meirelles. Em coletiva, o ministro afirmou ainda que muitos estados já
aprovaram cortes de gastos, como forma de “se preparar” para a reunião.
“Hoje a
situação fiscal dos estados já está instalada. [...] A situação do Rio é
dramática, mas didática para os outros estados. Tem que fazer o ajuste”,
reforçou, ao citar o caso do Rio de Janeiro, que já declarou estado de
calamidade por causa da crise econômica. Questionado sobre os municípios, que
também cobram uma parte do dinheiro repatriado, Meirelles foi enfático: “Não
tem acordo nenhum com os municípios até o momento, por enquanto prevalece a não
divisão da multa”.
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