A retomada da evacuação de
civis e rebeldes do reduto rebelde de Aleppo foi adiada pelo governo, após um
ataque de homens armados a ônibus que removiam civis de duas cidades xiitas pró-Assad.
Com informações da AFP.
Vinte ônibus que entrariam em
Fua e Kafraya, localidades xiitas visadas pelos rebeldes a 60km de Aleppo,
foram atacados e incendiados por homens armados. O motorista de um dos ônibus
morreu no ataque, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos.
"A operação foi adiada
devido à ausência de garantias relacionadas à segurança dos evacuados das
cidades de Fua e Kafraya", informou o diretor do Observatório, Rami Abdel
Rahman.
Yasser al-Youssef, do grupo
rebelde Nurredin al-Zinki, confirmou à AFP o "adiamento momentâneo"
da operação, assinalando que o incidente não terá impacto na retomada da mesma.
Vinte ônibus que entrariam em
Fua e Kafraya, localidades xiitas visadas pelos rebeldes a 60km de Aleppo,
foram atacados e incendiadosGeorge Oirfarlian/AFP
Milhares de habitantes estão
bloqueados em Aleppo desde sexta-feira, quando a remoção foi interrompida
devido a divergências envolvendo o número exato de pessoas que deveriam deixar
as duas localidades xiitas.
Com fome e frio, milhares de
pessoas aguardaram durante todo o dia no bairro de Al-Amiriyah, ponto de
partida dos primeiros comboios que, na quinta-feira, deixaram a cidade antes da
suspensão.
O novo acordo fechado entre os
beligerantes e aprovado pela Turquia, que apoia os rebeldes, e Rússia e Irã,
aliados do governo, previa a entrada de dezenas de ônibus "sob a
supervisão da Cruz Vermelha", segundo a imprensa oficial.
Um representante dos rebeldes
confirmou um novo acordo para a saída de civis de Aleppo, Fua e Kefraya em duas
etapas.
"Em uma primeira etapa,
metade das pessoas cercadas em Aleppo devem sair, paralelamente à retirada de
1.250 pessoas de Fua", explicou.
Em seguida, "outras 1.250
pessoas de Kefraya sairão ao mesmo tempo que os demais habitantes de
Aleppo", disse.
E, por último, outros 1.500
indivíduos abandonarão Fua e Kefraya, enquanto o mesmo número de pessoas deve
sair de Zabadani e Madaya, duas cidades rebeldes cercadas pelo regime na
província de Damasco.
À noite, após horas de espera,
mais de 30 ônibus estavam abarrotados, mas os veículos permaneciam
estacionados.
A ONU calcula que restem 40
mil civis e entre 1.500 e 5.000 combatentes insurgentes com suas famílias no
reduto rebeldeGeorge Ourfalian/AFP
Milhares de habitantes, entre
eles crianças, continuavam esperando sob frio intenso, para não perder o
comboio seguinte.
Quase 8,5 mil pessoas haviam
sido removidas de Aleppo até a interrupção, na sexta-feira, segundo o OSDH.
A ONU calcula que restem 40
mil civis e entre 1.500 e 5.000 combatentes insurgentes com suas famílias no
reduto rebelde, segundo o enviado para a Síria, Staffan de Mistura.
A situação humanitária é cada
vez mais trágica para os civis bloqueados, entre eles crianças, que passam a
noite em meio a ruínas de prédios, sem água potável e comida, e, esgotados,
sobrevivem comendo tâmaras.
No último hospital do setor
rebelde as condições são péssimas. Doentes e feridos estavam no chão, não havia
água ou comida e o edifício contava com um aquecimento mínimo, apesar da
temperatura de seis graus abaixo de zero durante a noite.
O fisioterapeuta Mahmud Zaazaa
disse que restavam apenas "três médicos, um farmacêutico e três
enfermeiros" na zona.
Em Nova York, o Conselho de
Segurança da ONU irá se pronunciar às 14h GMT de amanhã sobre um novo projeto
de resolução, que prevê o envio de observadores a Aleppo para acompanhar a
evacuação, um texto classificado de "bom" pelo embaixador russo
Vitali Churkin.
Uma vez concluída a evacuação
de Aleppo, o governo irá proclamar a reconquista total da cidade, selando sua
maior vitória desde 2011, quando começou a guerra, que deixou mais de 310 mil
mortos e provocou o deslocamento de metade da população do país. Agência Brasil

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