A disputa pela presidência da
Assembleia Legislativa entre dois pesos pesados da política baiana tem
produzido um dilema na oposição e, em especial, em seu líder ACM Neto (DEM). O
prefeito de Salvador sabe que está diante de um quadro em que, a depender da
opção, poderá fortalecer o atual presidente, Marcelo Nilo (PSL), candidato à
reeleição, ou o senador Otto Alencar (PSD), mentor da candidatura do deputado
estadual Angelo Coronel (PSD).
A oposição considera que o
apoio ao atual presidente elevaria em 99% as chances de ele se eleger. E ainda
tem dúvidas sobre se o voto fechado em Coronel pode dar efetivamente a vitória
ao grupo de Otto, principalmente por causa do sufrágio secreto, o que facilita
imensamente as chances de traição. Mas os questionamentos não passam
exclusivamente pela questão numérica que garantirá a vitória a um ou a outro
grupo, sendo apenas a parte mais visível deles.
Na verdade, se trata de
decidir empoderar Otto ou Nilo no quadro político atual, a um ano da sucessão estadual.
A oposição acha difícil, por exemplo, que, mesmo dando a vitória a Coronel,
possa atrair Otto para seu projeto em 2018, quando Neto sairá candidato ao
governo contra Rui Costa (PT). Isso porque o senador do PSD não costuma trair
e, além disso, tem sido contemplado com grande espaço no governo estadual, como
a mais recente reforma administrativa mostrou.
Além disso, a situação atual é
favorável a que o senador indique o vice na chapa com que Rui disputará a
reeleição, na qual já tem cadeira cativa como candidato ao Senado o novo
secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Jaques Wagner (PT), e é
avaliada com carinho, para a outra vaga à senatória, a candidatura do atual
vice-governador, João Leão (PP). É para ficar em condições de igualdade com
Otto e Leão e poder disputar vaga na chapa que Nilo quer a reeleição.
É claro que, sem a presidência
na mão, não conseguirá pleitear vaga na chapa de Rui. O quadro mudaria caso se
mantenha no poder, o que significa que Neto e a oposição podem não ver vantagem
em ajudá-lo a se reeleger. Mas e se Nilo em 2018 vier a ser novamente excluído
da chapa do governador, como aconteceu em 2014, quando foi preterido em favor
de João Leão e quase rompeu com o grupo do governo? Não surgiria aí espaço para
Neto afastá-lo definitivamente de Rui?
De fato, levando em conta que
foi convidado uma vez e não topou, naquela época, a integrar a chapa liderada
pelo DEM, nada impede que Nilo receba o convite de novo em 2018 e, desta vez
aceite. Reside aí o dilema de Neto. É o que dizem na oposição. Politica livre

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