Em um cenário onde a taxa de desemprego acumula alta de 20% e atinge em média, 12,3 milhões, o desejo de conquistar a tão sonhada estabilidade do concurso público é cada vez maior. No momento são 94 concursos públicos no país que estão com inscrições abertas e reúnem mais de 10 mil vagas em cargos de todos os níveis de escolaridade.
Entre os processos seletivos estão o concurso para o Tribunal Regional Federal da 2ª região com inscrições abertas até 14 de fevereiro e um dos maiores salários ofertados, com rendimentos que chegam a R$ R$ 27.500,17 mil. Segundo o Ministério do Planejamento, o quantitativo total estimado para o ano no Poder Executivo é de 18.690 mil cargos.
No entanto, dentro desse total, estão reservados 4.963 mil para preenchimento de cargos civis para nomeações referentes a concursos em andamento e para atender eventuais a demandas judiciais, 2.150 mil para substituição de terceirizados, 10.503 para fixação de efetivo militar e 1.074 mil para o Fundo Constitucional do Distrito Federal, a ser usado na fixação dos efetivos das polícias Civil e Militar e do Corpo de Bombeiros.
Na Bahia, apesar de ainda não ter o edital lançado, o governo do
estado autorizou no final do ano passado, a realização do concurso público para oficiais e soldados da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar em 2017. Serão oferecidas 2 mil vagas para soldados e 60 para oficiais da PM. No caso do Corpo de Bombeiros, serão ofertadas 750 vagas para soldados e 30 para oficiais. Ao todo, serão 2.840 novos policiais. “Estamos buscando o equilíbrio da máquina pública, mas serão mantidos os compromissos com suas áreas prioritárias, saúde, educação e segurança, respeitando-se os limites prudenciais da Lei de Responsabilidade Fiscal”, afirma o secretário da Administração do governo do estado (SAEB), Edelvino Góes.
Na esfera municipal, por conta das mudanças que ocorreram na Secretaria Municipal de Gestão ainda está sendo levantada a demanda por contratação de novos profissionais até que sejam abertos novos processos, como assegura o secretário da pasta, Thiago Dantas. “Ao longo do ano, serão realizadas gestões junto às unidades da Prefeitura para consolidar as demandas existentes e avaliar a possibilidade orçamentária-financeira para embasar a decisão sobre a realização de novos concursos”.
Rotina de estudos
Enquanto isso vai sair na frente que estiver preparado. E dá para se preparar sem gastar nada, só contando com os recursos e conteúdos disponíveis na internet, como assegura o especialista em concursos, Charles Petersen. “É preciso apenas buscar um método para estudar e filtrar a quantidade de coisas que estão disponíveis”, recomenda.
Ainda de acordo com Petersen, o conteúdo está todo na internet o que vai fazer a diferença é a maneira de estudar. “Não é só ler ou assistir as vídeos aulas. Pratique todos os conteúdos que estão sendo estudados, busque blogs e sites especializados e resolva questões comentadas. Com a internet dá para aprender tudo, mas é preciso praticar e colocar metas para resolver as questões todos os dias”.
Aprovada no concurso da Universidade Federal da Bahia (UFBA), a biblioteconomista Bruna Lessa, sabe muito bem o que é esta rotina. Em março ela completa um ano que voltou para a mesma instituição onde se formou só que agora como docente. Mesmo passando por uma situação de saúde grave, quando foi diagnosticada com câncer ela persistiu e conseguiu passar em um concurso publico.
“É necessário muita dedicação, organização e força de vontade para passar num concurso público. Não estou falando de ‘neurose’ ou ‘obsessão’. Estou falando de criar o seu próprio cronograma de estudos, de formar uma rede de amigos que tenham o mesmo objetivo ou que, simplesmente, apoie o seu compromisso. Minha dica é: leia bastante e não estude por obrigação, mas porque é bom”, garante.
Mais dedicação
Quem também conseguiu ser aprovada em um concurso federal foi a engenheira química Jaqueline Almeida que hoje é técnica de operações da Petrobras. Ela só decidiu fazer a inscrição no último dia do prazo máximo. Até o dia da prova, a maratona de estudos durou dois meses. “Dava aula às 8h até às 12h e ia direto para o mestrado. De lá fazia aula no cursinho das matérias que precisava melhorar, chegava em casa as 22h e voltava a estudar novamente muitas vezes até às 5h da manhã. Não tinha final de semana, feriado nem barzinho. Só pensava em ser aprovada”, conta.
O esquema de intensivão foi pesado, mas valeu a pena. Viviane foi aprovada para trabalhar em Macaé, no Rio de Janeiro. “Há um ano vim pra cá sozinha e tive que me adaptar. Em compensação, o esforço e a dedicação valeram a minha estabilidade e independência financeira que conquistei pelo resto da vida. Ganho mais do que o dobro do que ganhava na iniciativa privada e tenho o futuro garantido até depois de me aposentar”.
A estabilidade também fez com que o urbanista Caio Carvalho começasse no inicio do ano a estudar para ser aprovado em um concurso público. De olho nos concursos para a Ufba e Embasa ele começou a montar o clico de estudos. “Estou estudando, em média, umas 6h30 por dia. Estudo um pouco de todas as matérias todos os dias e tenho dedicado um tempo maior para os conteúdos mais importes”. Com o índice crescente de desemprego, o concurso público ainda que não seja na sua área de atuação acaba se tornando a solução para quem não quer correr o risco de perder o emprego. “A gente está vivendo um momento complicado onde o futuro é indefinido, principalmente diante do mercado de trabalho. O concurso é a saída”, ressalta. (correio24horas)

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