A estratégia do crime organizado para abastecer os usuários de crack na região central de São Paulo mudou. Se antes havia uma "feira livre" na cracolândia com barracas equipadas até com máquinas de cartão de crédito, os traficantes agora usam motocicletas para fazer entrega de entorpecentes. É o que afirma o secretário da Segurança Pública, Mágino Alves.
Até a ação policial de domingo, o comércio de crack na região, um reduto da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), movimentava cerca de R$ 500 mil por dia, ou R$ 180 milhões por ano, de acordo com o Estado. Nas barraquinhas, os usuários compravam 19 quilos da droga por dia.
Depois da megaoperação que lacrou pontos de refino e de distribuição de drogas
e prendeu 53 pessoas, no domingo, os usuários da cracolândia se espalharam pela cidade. Com a ação, a maior parte dos usuários de droga passou a se concentrar na Praça Princesa Isabel, a menos de 600 metros do fluxo antigo. O local está entre os mapeados pela Prefeitura.
Apesar de haver uma base da Polícia Militar na Princesa Isabel, a droga continua chegando ao novo "fluxo". Segundo Mágino, no entanto, o volume é em menor escala. "Está entrando droga? Está, porque eles (os traficantes) passam por lá com moto e jogam a droga", afirmou.
Comerciantes da região estão fechando as lojas mais cedo e já cogitam abandonar o local por causa da migração dos dependentes. Dona de um restaurante na frente da praça, Sirlene Saad diz que tem fechado o comércio antes das 17 horas para evitar o fluxo. "As pessoas estão com medo, o público está diminuindo. Lá (Rua Helvetia), eles tinham um espaço deles, mas aqui é nosso, nós pagamos impostos", reclama.
Ela conta que precisa passar entre os usuários na praça para entrar no prédio onde mora. (opovo)

Nenhum comentário:
Postar um comentário