O Rio Grande do Sul tem 91 municípios em situação de emergência devido à chuva que vem sendo registrada nas últimas semanas, segundo aponta boletim divulgado no final da tarde desta sexta-feira (9) pela Defesa Civil. São 18 cidades a mais em relação aos dados divulgados na manhã do mesmo dia. O órgão também indica que pelo menos quatro pessoas morreram em razão do mau tempo.
O número de pessoas fora de casa chegou a 11.680, 173 a mais que o boletim anterior. São 461 famílias desabrigadas que tiveram de ser acolhidas em locais fornecidos pelo poder público, o equivalente a 1.936 pessoas, e outras 2.320 famílias desalojadas que estão em casas de familiares ou amigos, 9.744 pessoas segundo o cálculo da Defesa Civil.
Os municípios mais afetados continuam sendo Uruguaiana, com 6.162 pessoas fora de casa e Itaqui, com 1.717 moradores entre desabrigados e desalojados,
ambos na Fronteira Oeste.
Em Uruguaiana, foram entregues pelo estado kits de ajuda humanitária, que serão destinados a pelo menos 200 famílias que residem próximo aos pontos mais críticos da enchente que atingiu o município.
"Esses kits chegaram nesta sexta-feira (09). Nós estamos pedindo cobertas e alimentos. Colchões a gente pediu alguns usados. Não tem problemas, desde que estejam em boas condições", explicou a secretária de Assistência Social e Habitação, Soraya Salomão.
Na cidade de Maratá, no Vale do Caí, distante cerca de 80 km de Porto Alegre, os moradores também contam com a solidariedade e ajuda comunitária. As famílias precisam de material de construção, móveis e eletrodomésticos.
Até mesmo a população de Cruz Alta, no Noroeste gaúcho, está se mobilizando para enviar subsídios à Fronteira Oeste do estado. As doações estão sendo encaminhadas a uma igreja local.
"Se você tem, não é que você tem demais. Se tem um pouquinho, então partilha com quem não tem", incentiva Rudimar Dal Astra, padre da igreja que está recebendo os donativos no município.
Em Caxias do Sul, na Serra, as chuvas que seguem causando estragos no distrito de Vila Oliva, no interior da cidade. As famílias prejudicadas, além de lidar com o frio, estão tentando reconstruir suas casas.
"O problema é a chuva, o tempo não dá trégua, mas vamos tocando assim mesmo", contou o funcionário público Lissauer de Souza.
Já no município de Charrua, no Norte do estado, o sol apareceu nesta sexta. Ainda assim, a população segue mobilizada para ajudar àqueles que tiveram prejuízos causados pelo mau tempo. Segundo a agricultora Luciane Munaretto, a intenção é "ajudá-los a manter a cabeça erguida, se sentir melhor, se sentir acolhido por todos".
Em uma aldeia indígena na Reserva de Ventarra, em Erebango, no Alto Uruguaio, o vento forte rasgou as lonas que cobriam as casas, deixando 27 famílias de caingangues desalojados. Eles foram encaminhados para abrigos e moradias de parentes. (globo.com)

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