Por Irlando Oliveira
Como já o dissemos em outro ensaio, entramos e saímos da vida sem dela jamais nos apartarmos. A vida estua pujante em todos os sentidos e de todas as formas, ensejando-nos valiosas oportunidades de crescimento moral e intelectual. A todo momento nos deparamos com adversidades mil, mas também com situações que nos levam a episódios ditosos, os quais representam verdadeiro bálsamo para as nossas almas, sequiosas do lenitivo necessário para suavizar a carga e o fardo por demais pesado que carregamos nesse nosso périplo evolutivo.
Ante cada infortúnio que se nos apresenta, cabe a reflexão prudente, serena e desafiadora, a fim de se tentar solvê-lo e/ou suplantá-lo, esquecendo sempre do imediatismo, tão característico do nosso espírito pueril e leviano - ínsito da nossa condição de viajores à caminho da Luz -, já que tudo apresenta seu tempo na medida certa para cada aprendizado. Afinal, nada acontece ao acaso, o qual simplesmente inexiste, pois tudo tem um porquê e uma finalidade em nossas vidas.
Nesse contexto, o suicídio não nos livrará dos nossos problemas, pois o traspasse apenas nos levará a uma outra dimensão, a qual, dependendo das circunstâncias, poderá se nos revelar uma realidade muito mais complexa daqueloutra ensejadora do autocídio praticado. Enquanto na indumentária carnal estivermos, experienciaremos, inevitavelmente, situações que requererão cautela e reflexão acurada para optarmos pela melhor e mais sensata escolha, a fim de lograrmos êxito na consecução dos nossos objetivos e intentos.
Profissões há cuja incidência de episódios de suicídio são numerosos, em razão da lida difícil e conflitante. A Policial Militar (PM) é uma delas - como sói acontecer com várias outras de idêntica complexidade -, já que incontestáveis são os problemas e ocorrências atendidos no nosso campo de atuação, este demasiadamente complicado, já que, via de regra, acorremos à "escória social", sempre crescente nos países em desenvolvimento, como o Brasil, em razão, principalmente, da gritante desigualdade social, a qual concorre, mais e mais, para aumentar o fosso que separa as classes do tecido social.
Irlando Lino Magalhães Oliveira é Oficial da Polícia Militar da Bahia, no posto de Tenente-Coronel do QOPM, atual Comandante do 14º BPM/Santo Antônio de Jesus, e Especialista em Gestão da Segurança Pública e Direitos Humanos.

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