| Foto: Mustafa Omar/Unsplash |
O Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) registrou quatro denúncias de violência obstétrica neste ano. O termo é utilizado para definir abusos sofridos por mulheres quando procuram serviços de saúde durante a gestação, na hora do parto, nascimento ou pós-parto. No ano de 2020, o conselho recebeu duas denúncias sobre a situação.
Das quatro denúncias, duas ainda estão em tramitação, uma sindicância foi arquivada e a outra resultou em instauração de processo. Das denúncias de 2020, uma resultou em instauração de processo e a outra ainda está em apuração.
Em entrevista ao Bahia Notícias, o vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb), Leonardo Resende, explicou que é necessário ter cuidado com o termo que se popularizou nos últimos dias na internet.
“O termo violência obstétrica faz uma associação a especialidade obstétrica, entendemos que existe a ‘violência na assistência ao parto’, e repudiamos a ideia mas o termo coloca o médico obstetra como único responsável pelos eventuais problemas durante o procedimento", disse.
"Violência Obstétrica" se tornou um dos assuntos mais comentados nas redes sociais após a digital influencer Shantal denunciar o médico ginecologista que a acompanhou durante o parto.
Após a denúncia de Shantal, outras mulheres também se pronunciaram sobre o assunto e falaram sentir medo e até vergonha de relatar a violência durante o parto.
Leonardo recomenda que as mulheres conversem com seus médicos obstetras sobre como gostariam que o parto fosse conduzido, avaliem quais as vantagens e desvantagens de realizar o parto com o profissional e que, caso se sintam violentadas, que denunciem para apuração do Cremeb.
“Qualquer denúncia sobre qualquer assunto relacionado aos médicos é investigada. O conselho só não tem autonomia sobre outros profissionais que atuam no hospital. Nada é arquivado sem apuração”, diz Leonardo.
Em nota divulgada em 2019, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) apresentou posicionamento favorável à assistência compartilhada ao parto e nascimento por equipe multiprofissional, em modelo menos intervencionista.
“Sobre a expressão 'violência obstétrica', nossa entidade participa conjuntamente com o Conselho Federal de Medicina, através da participação na Câmara Técnica de Ginecologia e Obstetrícia, na articulação de grande campanha publicitária para informar e explicar a população, a inadequação da utilização dessa expressão, quando se refere ao atendimento médico prestado pelos nossos associados”, diz parte da nota.
Além do hospital ou serviço de saúde em que a paciente foi atendida, as denúncias também podem ser feitas na secretaria de saúde responsável pelo estabelecimento. As mulheres também podem ligar no 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou no 136 (Disque Saúde).
*bahianotícias
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