O Ministério da Saúde vai mudar a partir desta última quarta-feira (9) os critérios que classificam uma criança com microcefalia. Até então, considerava-se que que bebês com circunferência da cabeça igual ou menor a 32 cm tinham a má-formação. Agora, com o novo parâmetro, a pasta passa a considerar referências diferentes para meninos e meninas: para os garotos, a medida será igual ou inferior a 31,9 cm e, para meninas, igual ou inferior a 31,5 cm.
Segundo o coordenador-geral de Vigilância e Resposta às Emergências em Saúde Pública do Ministério da Saúde, Wanderson Oliveira, o objetivo da mudança é padronizar as referências para todos os países, valendo para bebês nascidos com 37 ou mais semanas de gestação.
— Isso vai evitar que crianças normais entrem nas estatísticas e que as mães fiquem preocupadas. Na prática, teremos mais crianças adequadamente identificadas e menos crianças normais sendo investigadas.
A aferição do perímetro deve ser feita, preferencialmente, após as primeiras 24 horas, ou até o fim da primeira semana do nascimento, explicou Oliveira.
— Cada centímetro faz diferença e os serviços de saúde estão habilitados e capacitados para fazer essa medição. O que a OMS traz é um padrão internacional que vai nos ajudar a comparar os dados com outros países.
Ainda de acordo com o coordenador-geral, a confirmação de microcefalia e a sua associação a outras infecções só pode ser feita após realização de exames complementares. Oliveira ainda disse que, caso o bebê nasça com perímetro cefálico normal e venha a apresentar algum problema, ela será acompanhada pela pediatria.
— Todas as crianças que foram notificadas serão acompanhadas. Não haverá descarte pela mudança do perímetro.
De acordo com o coordenador, a OMS [Organização Mundial de Saúde] caracterizou também o que é microcefalia, microcefalia grave e microcefalia com anormalidade no cérebro.
Dados de microcefalia
O Ministério da Saúde informou que foram notificados 6.158 casos de bebês com microcefalia no Brasil. Desses, 745 foram confirmados, 1.182 foram descartados e 4.231 permanecem em investigação. Os dados são do último boletim divulgado pelo governo nesta quarta-feira (9), que foi fechado no último sábado (5).
Os 745 casos confirmados de microcefalia ocorreram em 282 municípios, localizados em 18 unidades da federação: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pará, Rondônia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul. Os 1.182 casos descartados foram classificados por apresentarem exames normais, ou apresentarem microcefalias e/ou alterações no sistema nervoso central por causas não infeciosas.
Os 6.158 casos notificados, desde o início das investigações, estão distribuídos em 1.179 municípios, de todas as regiões do país. A maioria foi registrada na região Nordeste (4.827 casos, o que corresponde a 80%), sendo o Estado de Pernambuco é a Unidade da federação com o maior número de casos que ainda estão sendo investigados (1.214). Em seguida, estão a Bahia (609), Paraíba (447), Rio de Janeiro (289), Rio Grande do Norte (278) e Ceará (252).
R7

Nenhum comentário:
Postar um comentário