Uma advogada brasileira, de 36 anos, investigada na Operação Ethos, deflagrada em novembro de 2016 no oeste paulista, e foragida desde entao, foi presa nesta terça-feira (2) em Ciudad del Este, no Paraguai. Segundo a Polícia Nacional, ela também é suspeita de envolvimento no mega-assalto à Prosegur na madrugada do dia 23 de abril.
No roubo, o grupo levou cerca de US$ 11,7 milhões o equivalente a R$ 37 milhões da sede da transportadora de valores.
A suspeita foi presa no apartamento onde estava morando com o companheiro, também detido. No local, estava também a mãe da brasileira. Ela disse que a filha é advogada criminalista e que auxilia presos doentes e confirmou que estava morando naquele endereço havia ao menos quatro meses.
“Ela é encarregada da administração geral do PCC [Primeiro Comando da Capital], responsável por administrar quantias de dinheiro reservadas para casos como o de prisão de algum integrante ou de feridos em confrontos. Agora vamos intensificar as investigações para demonstrar a participação direta dela neste caso do assalto à Prosegur”, comentou o subcomandante da Polícia Nacional, Bartolomeu Baez.
No mesmo dia do assalto, o ministro do Interior do Paraguai, Lorenzo Lezcano, declarou acreditar que a metodologia usada no assalto pode ser atribuída ao PCC. O governo paraguaio também investiga a suposta participação de policiais no roubo e negligência nas buscas.
Desde o dia 23, três suspeitos foram presos pela polícia paraguaia e 15 pela
polícia brasileira durante as buscas nos dois países. Outros três foram mortos. Dos presos no Brasil, sete foram liberados pela justiça.
polícia brasileira durante as buscas nos dois países. Outros três foram mortos. Dos presos no Brasil, sete foram liberados pela justiça.
Organização criminosa
De acordo com o promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em Presidente Prudente (SP), Lincoln Gakya, a advogada estava entre os cinco investigados ainda foragidos.
A Operação Ethos foi deflagrada no fim de novembro de 2016 para o cumprimento de 54 mandados de prisão preventiva, 14 deles contra pessoas já presas, entre elas o traficante Marcos Camacho, o Marcola.
“Ela desempenha um papel importante dentro do PCC em relação aos advogados que trabalham para a facção criminosa”, observou o promotor.
O coordenador adiantou que deve pedir ao governo paraguaio a extradição da advogada para o Brasil a fim de que ela responda aos crimes praticados no país.
O inquérito policial sobre o caso foi instaurado em maio de 2015 para apurar crimes de organizações criminosas, lavagem de dinheiro, associação para fins de lavagem, exploração de prestígio e corrupção ativa.
As investigações começaram após informações reveladas através de uma carta que foi interceptada por agentes da Penitenciária “Maurício Henrique Guimarães Pereira”, a P2 de Presidente Venceslau, no dia 11 de maio de 2015, durante procedimento de varredura de rotina na unidade.
Veja a lista completa de itens apreendidos até o momento:
7 fuzis
1 pistola
2 coletes balísticos
R$ 219.450,00
G$ 733.640.000,00
US$ 1.275.030,00
2 embarcações
7 quilos de explosivos
O assalto
Segundo a polícia vizinha, os ladrões fortemente armados invadiram a sede da transportadora de valores Prosegur. Eles explodiram a entrada da empresa e trocaram tiros com vigilantes. A ação durou aproximadamente três horas e eles fugiram com dinheiro.
Um policial paraguaio que estava em um carro em frente à empresa foi morto pelos bandidos.
A sede da empresa fica a 4 quilômetros da Ponte Internacional da Amizade, na fronteira com Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná. (globo.com)

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