O anúncio do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, feito hoje (4) dividiu opiniões na Câmara dos Deputados. Janot abriu investigação para avaliar a omissão de informações nas negociações das delações de executivos da JBS e que, se comprovada a omissão, os benefícios concedidos aos delatores poderão ser anulados.Alguns parlamentares entendem que ela poderá até enfraquecer uma possível nova denúncia contra o presidente da República, Michel Temer. Outros avaliam que a investigação não enfraquece as provas colhidas pela PGR.
Logo após a fala de Janot, o líder da maioria, deputado Lelo Coimbra (PMDB-ES), foi à tribuna da Câmara para afirmar que a declaração do procurador-geral marca um novo momento na relação com os executivos da JBS. “Esse fato dito agora cria um novo momento em relação a esse tema, que ocupou a tribuna dessa Casa por vários momentos e, com certeza, ocupará por outros tantos momentos para mostrar que essa festa parece ter acabado”, disse.
Já o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) argumentou que o governo não pode comemorar o fato, uma vez que o áudio pode trazer novas informações para a investigação em curso. “Para nós, a investigação ganha mais força e tem novos dados, novas incriminações da mesma rede”, disse. Para ele, os fatos podem corrigir os benefícios concedidos aos empresários da JBS após a colaboração com o Ministério Público. “Agora, a investigação tende a corrigir essa demasia, essa bondade excessiva que estava no senso comum”, concluiu. O acordo de delação premiada dos irmãos Joesley e Wesley Batista prevê o pagamento de multa, mas livra ambos de qualquer processo judicial ligado aos crimes narrados por eles.